5.9.19
olá, querido diário
tem muita coisa mudando na minha cabeça em relação ao treinamento dos meus cães. É curioso voltar pra cá e ver que havia um post no rascunho que tentou - por dois parágrafos e desistiu - articular pontos que finalmente sinto que encontrei um caminho. Ainda com muito a ser caminhado, mas há uma direção. Volto pra cá porque tentar articular ideias na minha cabeça, sozinha, me faz dar muitas voltas sem sair do lugar. Não vou divulgar que o blog está sendo movimentado - até que eu mude de ideia - mas vou escrever com o interlocutor que estiver aí, pedindo socorro pra alinhar todas as ideias soltas aqui dentro.
31.7.16
sobre olhar, sobre aprender
Alerta: o texto de hoje é longo e confuso porque o texto de hoje sou eu.
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Faz alguns meses, eu fui convidada para dar um curso de Shaping e Agility em Recife. Eu estava em casa quando desliguei o telefone depois de conversar com o organizador sobre as inúmeras possibilidades para um curso desse. Quando desliguei, empolgadíssima, olhei para a Kia. Minha filhota estava com um ano de idade e sequer sabia deitar sob comando. Ela havia visto um túnel duas vezes na vida e as primeiras tentativas de ensinar as bases do salto haviam sido desastrosas. Pensei na Dory, a única cachorra com quem tive algum resultado em pista e que nem foi treinada por mim. Meu estômago deu um nó. Meu deus. O quê que eu vou fazer lá?
***
É engraçado olhar pra trás e perceber quantas coisas já estavam presentes desde sempre e demoramos tanto tempo para notar. Pensando agora, eu não me lembro de um período na minha vida em que aprendizagem e ensino não fossem os meus temas favoritos. Vasculhando a infância, os hobbies, a escolha profissional, eu vejo que esses interesses sempre estavam lá, guiando minha trajetória.
Durante toda essa jornada, de lá até hoje, dediquei a maior parte do meu tempo a entender como a interação entre organismo e ambiente produziam todos os diferentes comportamentos que vemos nos seres vivos. Dos problemas de comportamento ao desempenho de alta performance, dos hábitos saudáveis ao sofrimento psicológico. De todas as coisas que descobri, teve uma que mudou totalmente tudo que eu havia aprendido até então e que continua fazendo isso até hoje. Eu descobri, numa conversa despretenciosa com veteranos, que olhar, observar, é treinado como qualquer outro comportamento. Observação também é aprendida.
Pare para pensar um pouco no que isso significa. Para a maioria dos humanos, olhar é um comportamento tão básico que media praticamente todos os outros. Nós não sabemos como comer, como interagir com as pessoas, nem como andar na nossa própria casa se não pudermos nos basear no que estamos vendo. O ver não é algo automático, que vem de fábrica quando temos olhos funcionais, como a câmera de um celular. Onde olhamos, no que focamos, o que percebemos, todos esses são comportamentos, que são treinados a partir de reforço, que podem ser punidos, ou sofrer extinção, como qualquer outro comportamento.
***
A parte mais ansiogênica de ministrar um curso é se imaginar lidando com as dificuldades que inevitavelmente irão surgir durante os exercícios práticos. E se surgirem as mesmas dificuldades que eu tenho com os meus cães? E se surgir algo que eu não sei como lidar? Eles vão me descobrir.
Eu coloquei toda teoria debaixo do braço para me proteger e fui. Fui para um dos melhores finais de semana que o agility já me proporcionou.
A primeira coisa linda que me aconteceu foi chegar e encontrar um grupo de pessoas que estava totalmente aberto e ávido para ouvir o que eu tinha a dizer. Ninguém estava ali para me avaliar, estavam ali para me ouvir e a parte de mim que temia ser percebida como impostora desapareceu. E, nesse ambiente de tanta abertura e confiança, pude vivenciar aquilo que, pra mim, faz o ensinar ser algo tão indescritível. A oportunidade de abandonar o meu olhar já enviesado, já viciado pelo meu contexto de vida, pelas minhas dificuldades e pela minha realidade e poder aprender tudo de novo, poder olhar para aquilo que eu achava que já sabia de um ponto de vista completamente diferente.
Existe algo de muito especial em aprender a partir do ensinar. Que alguém abaixe as defesas e divida o desconforto do processo com você, que te permita compartilhar o olhar de um ângulo que você jamais teria acesso, não sei se existe demonstração maior de confiança do que essa.
***
Uma lição se destacou dentre todas as outras. Enquanto as duplas iam praticando, eu estava livre para olhar. Sem conhecer nenhum contexto, sem me embaralhar nos invariáveis conflitos do processo de treino, eu conseguia observar claramente o que cada cão estava vendo, a que estímulos ele estava respondendo. Assim também, eu conseguia ver os condutores, reagindo sob controle de tantas outras coisas, tentando fechar várias equações e processar toda a informação enquanto o treino rolava.
A parte mais estranha foi me perceber tantas vezes nesses condutores mas, estando muito mais atenta aos cães, sugerir e propor estratégias e soluções que eu mesma não costumava usar em meus treinos. Durante os dois dias de curso, o que eu mais fiz foi sugerir aos condutores que observassem seus cães, olhassem o exercício pela perspectiva deles, que processassem todas essas informações e consolidassem o planejamento antes de treinar. Enquanto eu explicava isso, havia uma voz no fundo da minha cabeça que estava maravilhada, como se estivesse relembrando algo esquecido há muito tempo. Caramba. Pode crer.
Ás vezes, nos afogamos na nossa própria confusão. Nos tornamos incapazes de fazer, ou de resolver o problema, porque estamos tão imersos na correria do dia-a-dia, nos 150 vídeos que vimos no youtube, na pressa de estrear e, principalmente, tentando planejar nosso treino enquanto estamos nele. Ahnnn, tá, não tava esperando isso, o quê que eu faço agora?
Nessas horas, esquecemos que o quê realmente precisamos não são mais métodos, mais soluções, mais ideias, mais vídeos. O que realmente precisamos é parar. Parar e pensar o quê estamos tentando ensinar e parar e olhar o quê o nosso cão está vendo. A verdade é que a solução tem que estar na nossa cara, afinal, ela tem que ser tão simples que até o nosso cão vai entender. O complicado mesmo é conseguir se desvencilhar de toda essa poluição mental e parar até encontrar. É um exercício da vida real de Onde está o Wally?
***
O objetivo desse texto quando eu comecei a escrevê-lo era falar sobre o que eu pude reaprender durante o final de semana do curso. Porém, senti tanta necessidade de poder contar o quão especial foi essa experiência que mal ficou espaço para falar de agility. Ou talvez, essa seja a primeira vez, em muito tempo, em que eu falo daquilo que realmente é o agility.
Deixo aqui hoje, desse meu jeito confuso e caótico, a gratidão que sinto por poder aprender as coisas que são importantes várias vezes, por encontrar pessoas sensacionais que me ensinem tudo de novo e de um jeito novo.
É bom estar de volta.
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| Muito obrigada, pessoal! Foto por Hugo Vanderlei |
6.11.15
De que é feito um salto?
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| Estar em cima de um cavalo durante um salto mal executado não é nada bacana. |
Quem já praticou Hipismo sabe que o todo o treinamento de salto de um cavalo é bastante longo, cuidadoso e - o mais importante - contínuo. Afinal, nesse esporte, esse é o único obstáculo presente mas, acima de tudo, não é só o cavalo que sente o baque de um salto executado com a técnica errada.
No entanto, quando olhamos para o Agility, apesar do exercício ser fisicamente o mesmo, a existência dos outros obstáculos acaba ofuscando a necessidade de um treinamento de salto cuidadoso. Treino de condução? Sim. Treino de técnica de salto? Não muito.
Ao treinar a Wish para saltar, eu acabei me deparando muito com essa questão. Quando começamos a levantar os saltos (ainda na categoria midi), a Wish tinha um salto muito inconstante. Muitas vezes levava as barras no peito, muitas outras saltava bem mais alto ou bem mais longe que o necessário. Como ajudar um cão que não tem um talento natural a saltar mais eficientemente? O que é que estava faltando na performance dela ou no nosso treino que não a ajudava a fazer o obstáculo com facilidade? O que eu faço e por onde eu começo?
Ao ensinar um cão a saltar, geralmente nos preocupamos muito com a altura do obstáculo. Isso porque a altura acaba sendo o componente do exercício mais visível para nós, no entanto, não é o único, nem de longe o mais complexo.
Mas que outros componentes são esses?
Ao saltar, o cão tem que analisar diferentes elementos para produzir um salto com técnica adequada e da forma mais eficiente possível. Para isso, eles devem calcular:
- a distância entre um obstáculo e outro (e quantas passadas ele poderá dar nesse espaço)
- a distância ideal para iniciar o salto (take off spot ou "ponto de lançamento")
- o ângulo de elevação que ele deve produzir com o corpo para ultrapassar o obstáculo
- a altura do salto per se
- a direção que deve ir após o obstáculo (que deve ser calculada antes)
- todas as outras informações que o condutor está passando (sejam elas úteis ou não)
E tudo isso, em centésimos de segundo, quinze vezes durante uma pista de agility.
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| Reparem o esforço físico e a dificuldade dos movimentos. Saltar eficientemente não é simples. Nas fotos, Bi e To de Silvia Trkman. |
Nos próximos posts, vou discutir um pouco o que constitui uma técnica adequada de salto e como podemos ajudar nossos cães a dominá-la.
5.11.15
Sobre não ter medo de errar
O blog foi e voltou e eu continuei no mesmo tema. Que coisa.
Antes de parar de escrever no blog, eu estava tão bitolada no assunto da 'velocidade' que me afundei em diversas literaturas de Psicologia do Esporte para tentar pensar formas diferentes de entender esse conceito dentro do Agility.
O que os europeus, por exemplo, fazem de diferente para terem cães tão mais rápidos que os nossos? Eu não acredito, por exemplo, que essa diferença esteja no "material canino", ainda que existam cães mais ou menos velozes, não me parece provável que todos os cães bons estejam apenas em outros continentes.
Sendo assim, nos resta observar o que acontece de diferente durante o preparo de um cão agilista.
Acabou que o blog ficou de lado, com tantos projetos rolando simultaneamente na vida, mas recentemente encontrei esse vídeo no facebook de uma amiga eslovena.
Existem diversos fatores que ajudam os cães a serem mais rápidos no Agility, ainda assim, o vídeo da Barbara deixa muito visível um desses fatores. Deixarei para que vocês vejam por si mesmos.
Se olharmos relatos de atletas de alta performance, é muito comum encontrarmos falas sobre "não ter medo de errar". Em se tratando de alta performance, errar é sempre uma possibilidade, é um risco que deve-se correr para trabalhar no limite da velocidade, da precisão. Em um esporte em que cada centésimo conta, como no Agility, a vitória é decidida em todos esses pequenos limites.
Se o medo de errar é um fator tão decisivo para o desempenho de atletas humanos, por que seria diferente para nossos companheiros caninos?
Largo esse pensamento para vocês.
~~~
"I've missed more than 9000 shots in my career. I've lost almost 300 games. 26 times, I've been trusted to take the game winning shot and missed. I've failed over and over and over again in my life. And that is why I succeed."
Michael Jordan
Michael Jordan
"Eu errei mais de 9000 lances na minha carreira. Eu perdi quase 300 jogos. Vinte e seis vezes, confiaram em mim para acertar o lance final vencedor... e eu errei. Eu falhei repetidamente na minha vida. E é por isso que eu sou bem-sucedido."
Michael Jordan (tradução livre)
Michael Jordan (tradução livre)
10.12.14
Fracasso no treino de cães
Enquanto, durante os trabalhos finais do semestre, eu planejava posts para voltar ao blog, tropecei nessa imagem no blog da Andreja (que vale várias visitas).
Volto para os trabalhos e para o planejamento, mas deixo a imagem.
Que seja de valia.
O treinamento muitas vezes falha porque as pessoas esperam muito dos cães e muito pouco de si próprias.
Bob Bailey
13.8.14
Drive e velocidade - pensamentos livres
Nos últimos tempos, eu tenho pensado muito sobre motivação, drive e o que produz uma performance de ponta. As dificuldades que eu tive com a Dory, os desafios de treinar com a Wish e os desafios que amigos passam e dividem comigo são o combustível dessa minha onda introspectiva de raciocínios.
Como praticantes de agility, estamos sempre correndo atrás do tão aclamado drive. Escolhemos os filhotes mais "drivosos", tentamos excitar, motivar, nos fazemos de verdadeiros palhaços para empolgar os cães porque acreditamos que isso produzirá um melhor resultado em pista.
Mas será?
Isto não é uma pergunta retórica, mas sim, a pergunta que eu tenho me feito nos últimos tempos.
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| Eu queria uma Dory mais ou menos assim (e eu consegui) |
Quando eu comecei a treinar a Dory, o meu grande objetivo era deixá-la extremamente motivada para o Agility. Me livrei de toda a minha vergonha e me tornei uma verdadeira louca para mantê-la entusiasmada com os treinos. É difícil lembrar uma época do passado com detalhes sem ser traído por nossas percepções, mas vou assumir que era isso que ela precisava naquele momento. No entanto, analisando hoje, acredito que meu maior erro tenha sido não perceber a hora de parar.
Os problemas surgiram quando fui retreinar a zona de contato da passarela e o slalom. Os treinos mais básicos sempre iam super bem, até o momento de adicionar mais velocidade ou condução. Minha cachorra ficava tão enlouquecida assim que percebia que sua 'mamãe-palhaça' estava para fazer uma aparição que se perdia em um surto completo de histeria.
De tão empenhada que eu estava em produzir um cão super hiper mega motivado, eu me esqueci de capacitar meu cão a pensar e resolver problemas enquanto estava super hiper mega motivado.
Ou talvez, no desejo de ter um cão super motivado, eu tenha produzido um cão super excitado e confundido as duas coisas como se fossem uma só.
De qualquer forma, OPS!
Mais recentemente, ao treinar a Wish, me deparei com um problema diferente mas que me levou algum tempo para perceber que era exatamente igual. Os saltos dela finalmente estão na altura standard depois de um longo processo de treino muito gradativo. E eis que, mesmo depois de um processo tão slow motion, a cachorra começou a saltar das maneiras mais bizarras possíveis quando fazíamos uma pista.
- p*rra -
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| Wish fazendo overjumping. Cabeça alta, cauda elevada e um salto 30 cm mais alto do que o necessário. Urgh. |
Apesar de estar saltando super bem em situações controladas, a Wish ainda não estava - nem está - pronta para lidar com tudo isso em uma situação de euforia de uma pista. E quem é sempre a responsável por essa histeria epidêmica? A 'mamãe-palhaça', a mesma vilã do episódio anterior. Não é preciso dizer que a performance da canina melhorou instantaneamente assim que a ordinária condutora saiu de cena.
E essa foi a história de como eu, correndo atrás dos milésimos no cronômetro, me esqueci - duas vezes - de uma das lições mais básicas não só no treinamento de animais, como também no treino de alta performance.
Para competirmos em alto nível nós precisamos de velocidade, mas também precisamos de precisão. É somente a junção das duas que irá criar a performance de ponta.
Esses dois aspectos não devem ser treinados ao mesmo tempo. Um deve sempre vir antes do outro.
Esses dois aspectos não devem ser treinados ao mesmo tempo. Um deve sempre vir antes do outro.
E eu vou falar mais disso, só que só no próximo post.
Porque eu sou dessas.
27.3.14
Premack em ação #1
No último post nos falamos um pouco sobre o princípio de Premack, uma ferramenta que pode nos ajudar a transformar vários elementos da vida de nossos cães em reforços para o treinamento. Vocês devem ter notado que o princípio de Premack funciona de forma muito parecida com o reforço positivo. O animal faz alguma coisa que gostamos e algo que ele gosta acontece (petiscos, oportunidade de nadar, etc.).
Na verdade, na verdade, existe toda uma discussão chata na comunidade científica sobre os limites desse princípio e como devemos usar apenas o reforço positivo para fazer nossas análises. Para os nossos intuitos é só um monte de blablablá. No entanto, eu vejo uma grande vantagem e uma mudança de olhar muito grande quando as pessoas discutem nos termos do princípio de Premack.
Ele nos convida a prestar atenção em nossos cães e no que eles já fazem.
O seu cão gosta de jogar bolinha? Nadar? Perseguir esquilos? Latir para os gatos em cima do muro? Cheirar os gramados durante o passeio? Então vamos usar todas essas coisas para treiná-lo!
Mas, como aplicar Premack na prática?
Quando vamos treinar nossos cães com petiscos o princípio é que nossos cães só irão ganhar quando tiverem um acerto. Não há acesso aos petiscos enquanto o cão não acerta. E esse é o grande problema das distrações nos treinos, geralmente, nós não conseguimos controlar o acesso que os cães tem a elas.
Esse é o primeiro passo (o mais difícil e o mais importante) para o treino sem o uso de corretivos: controlar os reforçadores que os cães obtêm.
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| ESQUILO! |
O grande erro na hora de iniciar um treino com distrações é, justamente, não ter o controle sobre como o cão poderá interagir com elas. A questão não é proibir que o cão faça as atividades mas, sim, faça de forma controlada e prestando atenção em seu dono.
Se você tem o controle sobre a distração, pode começar a treinar o comportamento de forma progressiva. Sempre começando com um exercício bem simples e evoluindo progressivamente.
Premack em ação
Quando eu comecei a treinar agility no Dog World I, eu sempre soltava o Pypo assim que chegava para que ele pudesse cheirar e fazer suas necessidades. Acontece que o Pypo nunca foi o cão mais atencioso e focado do mundo, rs. E, no final das contas, eu precisava enganá-lo com um petisco para conseguir que ele voltasse.
Não demorou muito para ele aprender que ver o petisco significava ir para a caixa de transporte e perder a oportunidade de continuar cheirando. Sim, ele parou de vir mesmo se eu ficasse exibindo o petisco na fuça dele.
- Inspira -
- Expira -
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| Fonte |
Foi aí que eu resolvi começar a treinar usando o 'cheirar o chão e passear' como reforço. Eu já tinha lido várias vezes sobre o assunto mas nunca tinha colocado em prática. Só que eu já não tinha mais muitas outras alternativas, rs.
O Pypo já tinha aprendido que não poderia me ouvir e obedecer senão coisas ruins aconteceriam (tipo ficar preso na caixa do tédio). Como mudar isso?
A primeira coisa que fiz foi mudar a maneira como eu entrava na escola porque eu ainda tinha controle nessa situação. Assim que chegávamos no portão, eu passei a pedir para o Pypo sentar e olhar para mim. Assim que ele o fazia, eu abria o portão. Se ele saísse do senta, eu fechava o portão. Ele deveria permanecer sentado e olhando para mim até que eu liberasse com "ok, vai passear".
Como ele tinha medo de ser chamado para a caixa, eu comecei esse treino bem longe da barraca onde ficam as caixas de transporte. Ele não viria se eu chamasse, mesmo estando longe da barraca, então eu passei a jogar pedaços de salsicha na direção dele sempre que ele olhava para mim ou vinha na minha direção. Assim que ele comia, eu dava o comando para ele ir passear de novo.
Logo, ele passou a buscar mais e mais a minha atenção. E só aí eu passei a chamá-lo. Quando eu voltei a chamá-lo, ele passou a me evitar mais do que quando eu simplesmente esperava ele vir sem chamar. Na época, eu achei isso super irritante, ficava brava com essa "teimosia" dele. Mas com tudo que eu já falei, dá para entender porque ele relacionou o comando com algo que ele deveria evitar, não é? Eu demorei um tempo para me tocar disso.
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| Passeiozinho no mato. Dory solta e Pypo na guia. |
Nesse momento do treino, toda vez que ele vinha até mim quando chamado, eu recompensava com o petisco e dava o comando "passear" para que ele continuasse cheirando por aí. Ele ainda tinha bastante receio que eu o prendesse então ele ia embora feliz da vida.
E assim a coisa seguiu. Até o dia de hoje, em que eu posso chamá-lo, pedir alguns comandos e liberá-lo para cheirar. O mais lindo é que hoje ele sempre cheira prestando atenção em mim esperando uma oportunidade para brincar esse nosso jogo.
Hoje, eu sei que eu poderia ter acelerado nosso processo deixando que o Pypo cheirasse em um ambiente menor e que ficasse entediante mais rápido. Ficaria mais fácil de controlar a situação e ensiná-lo a prestar atenção em mim. Mas báh, vivendo e aprendendo :)
27.2.14
O princípio de Premack - se a vida te dá limões, faça caipirinha!
O treino com reforçamento positivo tem ganhado cada vez mais força no cenário mundial. A fama dos esportes e dos truques caninos tem muito a ver com esse crescimento já que o uso de reforço positivo é muito intuitivo na hora de treinar esse tipo de exercício. No entanto, ainda existem muitas críticas em relação a abordagem quando se discute problemas de comportamento.
Essas críticas são naturais pois pensar o reforço positivo nesse tipo de situação parece contraintuitivo, não é? Para reforçar eu preciso de um comportamento que eu considere desejável e queira ver repetido no futuro, mas um problema de comportamento é justamente o oposto disso!
No post de hoje, nós vamos falar sobre um problema de comportamento bastante comum mas relativamente simples de resolver: o do cão que nos abandona por distrações.
Treinar um cão com sucesso em casa mas não conseguir o mesmo nível de proficiência em locais públicos pode ser bastante frustrante, especialmente para os times engajados em esportes. Ensinar um cão a se concentrar em meio as distrações envolve muitos aspectos, entre eles, socialização, treino de generalização e um relacionamento próximo com o cachorro. Ele pode se distrair porque está desconfortável, com medo ou porque não entendeu o que você espera dele.
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| Olha que água INCRÍVEL, cara!! |
Infelizmente, é difícil ser mais interessante do que todos os outros cães, cheiros, esquilos, lagos ou ovelhas desse mundo. Então como ensinar nosso cão a continuar prestando atenção em nós nessas situações?
É aí que entra o princípio de Premack, ou como eu gosto de chamá-lo, se a vida te dá limões, faça uma caipirinha!
O princípio de Premack coloca que um comportamento que acontece com alta frequência em uma dada situação, pode ser usado como reforçador para um comportamento de baixa frequência. Ou seja, podemos usar o atividade de cheirar outros cães como reforçador para, por exemplo, prestar atenção em nós. Por estar seguido de uma atividade reforçadora, o prestar atenção aumenta de frequência. Logo, estamos ensinando nossos cães a prestar mais atenção em nós na presença de outros cães. Lindo, não?
É bem parecido com o que conversamos sobre reforço positivo, não é?
O princípio de Premack nos ajuda a lembrar que não precisamos ficar presos aos petiscos e brinquedos quando vamos treinar nossos cães. Petiscos e brinquedos são ótimos e práticos para o treino, mas por que nos limitarmos a eles se podemos usar também todas as outras atividades que nossos cães naturalmente adoram fazer?
E a melhor parte, é que essas atividades menos reforçadoras começam a se tornar mais divertidas para o cão. Mas nos alongaremos mais sobre isso em um próximo post.
Deixo para vocês um vídeo que já postei aqui no blog, mas que ilustra perfeitamente o uso desse princípio.
Se a vida te dá distrações, faça um lindo treino baseado em Premack! :)
Bom carnaval a todos!!
O princípio de Premack coloca que um comportamento que acontece com alta frequência em uma dada situação, pode ser usado como reforçador para um comportamento de baixa frequência. Ou seja, podemos usar o atividade de cheirar outros cães como reforçador para, por exemplo, prestar atenção em nós. Por estar seguido de uma atividade reforçadora, o prestar atenção aumenta de frequência. Logo, estamos ensinando nossos cães a prestar mais atenção em nós na presença de outros cães. Lindo, não?
É bem parecido com o que conversamos sobre reforço positivo, não é?
O princípio de Premack nos ajuda a lembrar que não precisamos ficar presos aos petiscos e brinquedos quando vamos treinar nossos cães. Petiscos e brinquedos são ótimos e práticos para o treino, mas por que nos limitarmos a eles se podemos usar também todas as outras atividades que nossos cães naturalmente adoram fazer?
E a melhor parte, é que essas atividades menos reforçadoras começam a se tornar mais divertidas para o cão. Mas nos alongaremos mais sobre isso em um próximo post.
Deixo para vocês um vídeo que já postei aqui no blog, mas que ilustra perfeitamente o uso desse princípio.
Se a vida te dá distrações, faça um lindo treino baseado em Premack! :)
Bom carnaval a todos!!
24.2.14
7.9.13
Mudanças pelo tempo - Afghan Hound
1.5.13
Conflito e sofrimento
Semanas atrás, eu tive uma aula sobre Psicologia Clínica que só me remetia ao blog o tempo inteiro. Queria escrever um texto aqui mas com as complicações da vida cotidiana, não consegui. Hoje algo me trouxe de volta a esse assunto.
O tema da aula era: o que é o sofrimento na clínica psicológica?
Em posts anteriores, eu discuti como as punições podem produzir diversas respostas emocionais nos nossos cães e causar sofrimento. Mas será que isso é sempre verdade?
Não, não é. :)
Isso não significa que menti para vocês. A verdade é que toda e qualquer forma de punição é desagradável e produz respostas emocionais compatíveis. No entanto, isso não significa que levará o cão ou a pessoa a viverem grande sofrimento.
Eu nunca fui a terapia para falar sobre a topada na porta que eu dei com o dedinho do pé. E eu sempre faço isso e é sempre mega desagradável. E eu também não falo sobre as buzinadas (e palavrões adjacentes) que eu recebo no trânsito quando fecho alguém sem querer e, na boa, eu sempre fico muito triste quando isso acontece. Não sei porque, ainda mais no trânsito paulista, mas eu fico.
Por mais que toda punição cause desconforto, não necessariamente isso levará a um grande sofrimento. E ninguém vai a terapia para falar sobre como é feliz ou sobre desconfortos. As pessoas vão a terapia para falar de sofrimentos, de sentimentos ruins que as acompanham a todo momento ou invadem áreas da vida que antes não eram ansiogênicas.
Mas por que eu estou falando de tudo isso?
Os sofrimentos são gerados, não simplesmente por punições, mas por conflitos.
Quando eu dou uma topada na porta, não existe nada que me faça querer dar outra topada. Eu simplesmente pego a minha dor e tento ser mais coordenada. Não existe conflito algum. Mas quando eu brigo com
alguém que eu gosto muito... Por um lado, eu estou com raiva e quero ser
agressiva, mas por outro, deixar essa pessoa triste, me deixa triste... mas
então por que eu continuo brigando com ela? Por que ás vezes fazemos coisas que
nos fazem sentir mal?
Mas quem nunca viveu o sofrimento de não se sentir aceito pelo que é? Estar acima do peso, não ser descolado ou gostar de pessoas do mesmo sexo. Afinal, se não ser aceito me deixa tão triste porque eu não faço o que é preciso para ser aceito? Antes fosse simples assim. Ah, se a vida fosse apenas topadas na porta. Não é?
Os conflitos geram tanta dor porque nos fazem escolher entre sair perdendo e sair perdendo menos. Não há saída que nos permita evitar completamente sofrimentos futuros. Isso é uma m*rd@.
Mas por que eu estou falando de tudo isso? (2)
Em todos os posts desse blog em que eu defendi o treino de cães sem o uso de correções ou punições, eu não o fiz porque punições são coisas do demônio ou são politicamente incorretas. A gente sempre vai dar topadas na porta, faz parte. Mas eu defendo o treino sem correções porque eu não desejo um treino gerador de conflitos.
Quando falamos de desvios de comportamentos, isso se torna ainda mais importante. Quando nossos cães fazem algo de errado com frequência, eles o fazem por um motivo. Não porque são pentelhos, maus ou bravos, mas porque algo faz desse comportamento a melhor opção para eles. Ou a opção menos pior. Algo está sustentando esse comportamento e, o quer que seja, se colocará no caminho da punição que eu usar para interromper esse comportamento. Nesse ponto, meu cão terá de escolher qual é a melhor opção ou qual a menos pior...
Meu cão preto, por exemplo, é agressivo com outros cães no passeio. Tenho plena certeza de que sua agressividade é causada por medo. Para ele, avançar em outros cães ajuda a lidar com esse medo. No começo da nossa relação, quando ele ainda era filhote, eu fui aconselhada a puni-lo toda vez que emitisse comportamentos agressivos. O principal efeito desse treino foi: aumentar ainda mais seu medo de outros cães. Afinal, quando ele via outros cães, ele não devia só teme-los, como devia temer a mim também.
Não nego que talvez alguém experiente com esse tipo de treino pudesse ter sido mais bem sucedida do que eu fui, talvez pudesse mesmo. Mas esse treino nada faria para diminuir o medo que o Pypo sentia de outros cães, mas sim, para fazer com que a minha punição vencesse esse conflito. Ou seja, o objetivo final seria que ele conseguisse engolir o desconforto causado por outros cães para evitar minhas broncas.
Além de não fazer nada a respeito da principal problemática do meu cão, esse tipo de treino colocou uma pedra na nossa relação que até hoje eu tento tirar.
Por isso, ao cogitar o uso de punições, olhe ao redor de seu cão e não para ele. As causas do comportamento não estão nele. Não adianta corrigi-lo como se ele fizesse isso por ser folgado, dominante ou malvado. É o ambiente que diz ao seu cão como deve agir. Sendo assim, aja sobre esse ambiente.
Desfaça conflitos, não os crie!
Desfaça conflitos, não os crie!
Lembre-se: seu cão não tem a opção de ir à terapia :)
17.3.13
3000 palavras - Shar Pei
12.3.13
Workshop de Shaping - Primeiros Passos
Tá chegando!
No próximo dia 23, vou ministrar meu primeiro curso. Será um workshop de 4 horas sobre primeiros passos para o treino com Shaping. A ideia é apresentar o que é o shaping e como tirar o melhor do treino com esse tipo de "técnica".
Para quem treina cães de esporte, o termo deve soar familiar. Isso porque ele vem junto com a grande onda do treino de "fundamentos" que está aparecendo no Agility brasileiro.
Gabrielle Blackburn e Polona Bonac vieram ao Brasil para discutir sobre o treino de fundamentos para o Agility. Ambas começaram seus seminários discutindo sobre Shaping, isso porque esse era o método escolhido pra ensinar a maioria dos exercícios. Esse ano, Daisy Peel vem ao Brasil e dedicará um dia inteiro apenas a "foundations".
Mas qual a relação entre essas duas coisas?
Minha impressão é que quanto mais os treinadores descobrem sobre o Shaping, mais eles se voltam ao treino de fundamentos. E, se formos olhar para os maiores expoentes do Agility hoje, a grande maioria treina com shaping e enfatiza a grande importância dos fundamentos. Citando alguns nomes temos: Susan Garrett, Silvia Trkman, Martina Klimesova, Polona Bonac, Daisy Peel, Tereza Kralova... isso falando apenas dos que eu tenho certeza.
Nada disso é coincidência.
Isso porque o shaping é muito mais que apenas uma técnica, um método. Compreender sobre esse tipo de treino permite compreender sobre como cães aprendem e como bolar treinos que tirem o que há de melhor em cada cão.
E é para abordar esses tópicos que a Dog World me convidou para idealizar esse projeto! :)
Aos interessados em saber como essa saga continua, as informações do curso podem ser encontradas aqui.
31.1.13
Pensando sobre frustração
Podemos aprender a ensinar melhor se prestarmos atenção a nossas próprias dificuldades durante um aprendizado.
***
Nesse período de férias resolvi aprender um novo esporte. Melhor gastar o tempo ocioso com atividades físicas, é o que dizem. Só pra efeito de curiosidade, o esporte escolhido foi o tênis.
Tem sido uma experiência divertida especialmente pela facilidade com que fui aprendendo os movimentos básicos. Isso nunca tinha acontecido antes, rs.
Hoje, foi diferente. Antes da minha oitava aula, procurei todas as desculpas plausíveis para poder faltar. Sem nenhuma em mão, eu fui pra aula. Mas o simples fato de que eu tentei escapar não podia ser ignorado (não por mim, pelo menos) e eu passei todos os 50 minutos da aula tentando entender o por quê dele.
Achar o por quê não foi difícil. Visto que foi, de longe, uma aula extremamente frustrante. Tentar descobrir porque, em tão pouco tempo, o esporte deixou de ser divertido e fácil para se tornar frustrante e estressante, foi um pouco mais difícil, mas eu consegui.
O mais irritante de tudo era o fato de que eu simplesmente não conseguia acertar por muitas tentativas. A taxa de acerto beirava os 50% se eu deixasse o critério beeeem frouxo. Não fazia questão que a bolinha caísse dentro da quadra, desde que eu acertasse o movimento... nem isso estava funcionando. Mas o que aconteceu pra, de repente, eu estar indo super bem e cair tanto?
Eu bolei uma hipótese.
Nas aulas anteriores eu estava acertando super bem os movimentos, de direita e esquerda. Mas, obviamente, a dificuldade dessas jogadas não eram muito altas. O professor sempre mandava as bolas com a mesma velocidade e fazia elas caírem aproximadamente no mesmo local, só variava os lados. Eu acertava a grande maioria.
Nas duas últimas aulas, os locais em que ele jogava a bolinha começaram a variar muito. Bolas longas, curtas, eu não podia prever o lado que ele iria jogar, etc. Toda minha habilidade desmoronou. Eu não conseguia mais acertar os movimentos. Toda técnica e precisão que eu tinha adquirido, se perderam num instante.
E o que é pior, eu perdi a motivação e a vontade de jogar.
***
O objetivo desse post não é contar a minha trajetória dentro do tênis, mas sim, dividir com vocês algo da minha experiência que é muito importante lembrarmos quando formos ensinar qualquer habilidade seja a um aluno humano ou canino.
Durante o "shaping" do meu comportamento, o professor optou por estratégias de treino que não contribuíram para a minha aprendizagem e diminuíram a minha motivação em relação ao esporte. Foram elas:
1- aumentar a dificuldade de forma muito brusca, de modo que eu não tinha altas chances de acertar e ser reforçada
2- insistir no nível de dificuldade e não voltar um pouco atrás e nem revezar entre bolas difíceis e fáceis para que eu pudesse continuar sendo reforçada.
E ao fim de 50 minutos, eu não tinha a menor vontade de fazer uma próxima aula.
Lembrem de mim quando forem treinar seus cães.
Se seu cão aprendeu a fazer um novo obstáculo, por exemplo, não o jogue direto em uma sequência longa, cresça a dificuldade aos poucos. Será mais educativo e menos frustrante.
Se seu cão aprendeu a fazer o "2on2off" enquanto você corre ao lado dele, não espere logo de cara que ele acerte com você disparando na frente ou ficando para trás. Cresça a dificuldade aos poucos.
Errar não deve ser um problema. Meu professor não briga comigo quando eu erro, e nem eu comigo mesma, simplesmente espero a próxima bola e tento acertar. Mas é importante que criemos situações em que nossos cães tenham uma chance real de acertar. Assim como é importante que meu professor faça isso por mim porque, honestamente, ninguém consegue aguentar uma sessão inteira só de erros. Nem eu, nem nossos cães.
7.1.13
Reforços, carros e facebook ou como não é preciso recompensar toda vez
Um dos maiores mitos do treino de cães com reforço positivo é o de que se formos treinar com petiscos ou brinquedos, teremos que recompensar nossos cães toda vez que eles fizerem um dado comportamento.
Como já coloquei, isso não passa de um mito. Se vocês ligam a tevê e não tem nada de legal passando, vocês vão parar de ver tevê pra sempre? Ao entrar no facebook e não ter nenhum atualização interessante e nenhuma mensagem de amigos, vocês vão parar de acessar essa rede social? É muito provável que não.
A verdade é que nem sempre as coisas que gostamos de fazer nos providenciarão reforços, ás vezes teremos de tentar um pouco mais antes de conseguir aquilo que queremos. E se nós somos capazes de aprender que na vida é preciso continuar tentando, por que não nossos cães?
Mas não é só isso.
A forma e a frequência com que recebemos reforços para uma dada atividade (o chamado de esquema de reforçamento) modifica o nosso comportamento e o de nossos cães. Um exemplo clássico ilustra isso muito bem: suponhamos dois homens e seus respectivos carros. O primeiro possui uma Ferrari novinha e o segundo tem um fusca '68. Um belo dia o dono da Ferrari sai para trabalhar e o seu carro não pega... Ele tenta uma, duas, três vezes e aí desiste e liga para o seguro. No mesmo dia, o dono do fusca sai para trabalhar e seu carro também não liga mas diferente do outro homem, ele tenta muito mais vezes antes de desistir. Qual a diferença entre esses dois indivíduos? A diferença está no esquema de reforçamento do comportamento de ligar o carro.
Vou destrinchar isso um pouco mais descrevendo os três esquemas mais presentes nos treinos de animais.
O primeiro esquema é o de reforço contínuo, nele todas as respostas do organismo são reforçadas, sem exceção. Esse é o melhor esquema para se ensinar algum comportamento novo pois permite uma aquisição mais rápida. No entanto, se o reforço for interrompido por qualquer motivo, o comportamento se perderá rapidamente.
É o caso do dono da Ferrari. Toda vez que ele decide ligar o carro, o carro liga. Se por qualquer motivo, o carro não ligar, esse homem tentará poucas vezes antes de desistir.
O próximo esquema é o de razão variável, que é provavelmente o mais comum em nossas vidas. Nesse esquema não sabemos quando seremos reforçados, pois o reforço vem após um número variável de respostas, e continuamos tentando até conseguir. É o esquema predominante no Facebook, por exemplo, em que o feed de notícias nem sempre mostra algo interessante, mas continuamos procurando até achar alguma postagem que nos reforce.
E é o caso do dono do fusca que persiste por muito tempo antes de desistir de ligar seu carro. Alguns dias seu carro ligará de primeira, em outros vai ter que de tentar 5 ou 10 vezes antes de conseguir ligá-lo. Logo, quando seu carro não liga facilmente, ele continua tentando na esperança de conseguir na próxima, ou na próxima...
Esse é o melhor esquema para se evitar que o comportamento entre em extinção, mas esse é o tópico para outro post.
Por fim, temos o reforço diferencial em que não se reforça a partir de um número de tentativas, mas sim, quando o comportamento atinge um dado critério. Por exemplo, podemos reforçar toda vez que o cão acerta um comportamento numa situação difícil, como quando faz os truques em meio a distrações.
Ou então, podemos reforçar a partir da qualidade da performance. Hoje estou retreinando os saltos da Dory e toda vez que ela faz um salto muito curto em uma sequência, eu paro para reforçá-la. A ideia é que ela se esforce para saltar cada vez mais curto pois é isso que produz mais brincadeiras e petiscos :)
Dessa forma, fica claro que recompensar todas as vezes não é necessário, mas também é contraprodutivo no treino de nossos cães. O reforço contínuo é vital para ensinar coisas novas, mas a partir do momento que o cão já sabe, o melhor é adotar outros esquemas que permitam tornar o comportamento mais duradouro ou melhorar sua performance.
23.12.12
Um feliz natal a todos! - vídeo
Não pudemos estar tão próximos do blog nesse início de férias, mas um dos culpados por isso é o projeto que deixamos para vocês abaixo.
Espero que gostem!
Boas festas a todos! Nos vemos em 2013!
Espero que gostem!
Boas festas a todos! Nos vemos em 2013!
25.11.12
Você sabe ler emoções caninas? 2 - a resposta!
Aqui vai a resposta, antes tarde do que nunca!
Essa foto é interessante porque a Dory está dando todos os sinais para indicar que está desconfortável com essa situação. A situação no caso era que o Samy estava pedindo para ela fazer o fica, exercício que ela, na época, odiava fazer por questões de insegurança e incerteza.
A cabeça dela sozinha já deixa bem claro o que ela sente nesse momento. Os olhos podem estar fechados por causa da luz (ela é meio fotofóbica, rs) mas eu acredito que sejam um calming signal. Além disso, as orelhas estão para trás, ela coloca a língua para fora e é possível ver uma ruga de tensão na bochecha. Todos esses são sinais de desconforto e insegurança e além de representar as emoções, muitas vezes funcionam como sinais para que o ser intimidador retire um pouco da pressão sobre o intimidado. Ou seja, são os próprios calming signals.
Fora isso, o corpo está levemente abaixado, a coluna está abaulada e o peito dela está ligeiramente na frente. Tudo isso na tentativa de abaixar o corpo. Vocês já viram como os cães abaixam a cabeça e a parte frontal do corpo quando levam um bronca ou quando se aproximam de outro cão intimidador? É um comportamento comum em filhotes pedindo comida aos cães mais velhos também.É mais ou menos esse comportamento que a Dory está reproduzir aqui (só que ela não pode sair da posição sentada - e eu acredito que isso só aumente ainda mais sua ansiedade em relação ao exercício).
Só para avisar, hoje a Dory faz o "fica" com muito mais tranquilidade. Mas eu ainda não consegui passar essa tranquilidade para as pistas de agility, por isso que nós ainda saímos correndo igual duas desembestadas, hehehe.
Para ver a foto original, clique aqui.
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