13.4.12

O corpo funcional - pelvis à galope

 O post de hoje contém apenas fotos. Divirtam-se!


Um Saluki de caça para Karine Santos







E aí pessoal, o que vocês vêem?

9.4.12

O corpo funcional - parte 2

Gostei muito da repercussão do meu post passado. Várias pessoas tentaram acertar o desafio e várias comentaram sobre o que foi discutido no texto. Para aqueles que ficaram com medo de errar, isso é besteira, a grande questão da brincadeira é aprendermos a ver como a estrutura afeta a movimentação e como esse é, de fato, um quesito importante na criação de cães. Afinal de contas, tudo é aprendizagem! Vale dizer também que eu falhei miseravelmente quando fiz esse teste pela primeira vez, rsrs.


Aqui vão as respostas!


1. C - Esse cão é o mais rápido de todos mas tem problemas para fazer curvas e não consegue abaixar seu centro de gravidade com facilidade. Ela salta melhor que todos e é a mais atlética dos 4, mas não é a mais rápida no agility pela sua dificuldade de fazer curvas. Ela também pisa em falso quando corre e quando faz o slalom, o que é ineficiente. Isso não a deixa mais devagar no chão, mas a atrapalha no slalom. Ela é nossa melhor nadadora e a mais rápida, ama buscar o que quer que seja, independente da temperatura ou do lugar.






2. A - Esse cão foi o poodle standard mais premiado no agility americano por dois anos. Ela frequentemente consegue bater Border Collies e se qualifica para as seletivas para o Mundial de agility todo ano. Ela consegue fazer curvas tão curtas e tão rápidas quanto qualquer outro cão no agility. Ela tem pouca velocidade ao correr mas compensa com sua grande habilidade em saltos. Ela também consegue acelerar muito rapidamente. Se o percurso for cheio de curvas, ela vai muito bem. Se o percurso é longo com muita corrida e espaço entre os obstáculos, ela será bem mais lenta devido a sua falta de velocidade. Ela é uma nadadora muito boa, mas não é a nossa mais poderosa, no entanto, ela é um cão de caça ("game dog") e tentará de tudo. Ela busca muito bem.






3. BEsse cão salta em excesso, pula muito antes e joga suas patas anteriores acima de sua cabeça ao saltar. Quando está correndo solta com outros cães, ela é incapaz de abaixar seu centro de gravidade, mesmo que só um pouco. Ela não consegue fazer curvas e é nossa poodle mais lenta. Ela é terrivelmente desajeitada. Sua pernas traseiras ficam muito atrás de seu corpo quando ela corre e assim, ela tem pouquíssima força nos posteriores. Ela não consegue nadar nem para salvar sua vida. Ela afunda como uma pedra e, apesar de termos tentado de tudo para ajudá-la a aprender, ela simplesmente não consegue nadar. Ela se movimenta mal e tem dificuldade de colocar seus posteriores abaixo de seu corpo, então sentar é bem dificil para ela. Ela mal consegue se abaixar para fazer xixi.


Quem quiser, o artigo original pode ser lido na íntegra aqui!




Mas, afinal, que características determinam uma movimentação tão diferente para cada um desses cães? 


É claro que ao discutirmos estrutura, temos que lembrar que pouco importa uma característica assim ou outra assada de forma isolada. Um posterior bem angulado e forte não se movimenta sozinho (nao diga! rs) e é importante considerar o cão como um todo. 


Mas, ainda assim, ao procurar um cão para determinada função, devemos olhar para as características que melhor favorecem essa função. Como a Maria Valladares bem comentou, "a movimentação que a estrutura acarreta independe da raça. Por isso cada uma tem uma estrutura desejada, exatamente de acordo com a movimentação necessária para o desempenho da tarefa original". Ou seja, cada raça deve possuir a estrutura que melhor permitir a movimentação adequada para seu trabalho. A maneira como as angulações, proporções ou outras partes da conformação afetam a movimentação independe da raça. 


E o que cães de trabalho, no geral, precisam? Na minha opinião, todo cão de trabalho deve ser rápido, ter facilidade para frear e acelerar, facilidade para pular e nadar. Esse é o pacote básico. Não consigo lembrar de nenhuma raça de trabalho que exija algo muito diferente (nem mesmo os dachshunds e basset hounds). Sendo assim, é nisso que focarei hoje!
A super angulação de posteriores é comum e desejada
na seleção de várias raças


Esse "pacote básico" vai ser o foco aqui hoje. Como produzí-lo?


Quando um cão corre ele utiliza seus posteriores para tracionar seu corpo para frente. Um cão para poder saltar, correr, nada e acelerar necessita de posteriores fortes e corretamente angulados.


Por algum motivo peculiar, possivelmente pela valorização desse tipo de conformação nos eventos de exposição, a angulação dos joelhos (ângulo entre fêmur e tíbia) sempre foi muito relacionada a potência e velocidade. Infelizmente para muitas raças, a lógica do "mais é sempre melhor que menos" tem criado cães com super angulações que sofrem com os problemas do excesso. A foto do Pastor Alemão ilustra esse tipo de problema que pode ser encontrado em diversas outras raças. A angulação correta de joelhos varia conforme a raça e a função, mas "no pacote básico" o ideal é uma angulação moderada.


E por algum outro motivo peculiar, a criação de cães tem dado pouca atenção a outra parte muito importante dos posteriores, a angulação de pelvis. A angulação correta da pelvis é o que permite ao cão colocar seus posteriores embaixo do corpo e tracionar. Além disso, a pelvis é essencial para que o cão consiga frear ou fazer curvas.



Na foto ao lado estão representados dois esqueletos caninos, um com boa angulação de pelvis e outro com a pelvis "chata". Olhando para o esqueleto da direita podemos dizer que esse cão teria dificuldades de colocar os posteriores embaixo do corpo e tracionar para correr, assim como poderia ter dificuldades de sentar e fazer xixi como uma das poodles apresentadas acima.


Ao lado podemos ver duas das poodles do estudo com linhas sobre suas angulações. Reparem a diferença na angulação da pelvis. Mas além disso, reparem a diferença da extensão da garupa ("croup" em inglês -ponta superior da pelvis até inserção da causa). A garupa é uma região musculosa e se for curta como no caso da poodle 3 não conseguirá projetar o cão para frente com força e velocidade.


Uma pelvis "chata" como a do segundo esqueleto ou da poodle 3 faz com que os posteriores se projetem para trás, como em um chute, criando uma movimentação ineficiente e fraca. Infelizmente, essa movimentação tem sido selecionada em muitas raças no ambiente de exposição, inclusive nos Poodles, uma raça que originalmente tinha múltiplas funções e deveria possuir o "pacote básico".





E agora, por último, prestem atenção a proporção dos ossos fêmur e tíbia. Em termos de "pacote básico", o ideal é que esses ossos possuam o mesmo tamanho. Muitas vezes a tíbia é maior que o fêmur em comprimento, alterando a movimentação de um trote para uma marcha e assim, diminuindo a força e alcance da passada.


Para ilustrar e para finalizar (meu deus, olha o tamanho desse post!), deixo algumas fotos de outras espécies para que vocês se atentem aos ângulos que mencionei acima. Reparem como o guepardo da foto consegue colocar as patas traseiras abaixo de seu corpo para tracionar durante o galope. Sem esse alcance dos posteriores, a tração se torna ineficiente e mesmo que existam músculos fortes, eles não conseguiriam se posicionar corretamente para produzir um galope ou uma frenagem adequados. Notem na segunda foto a angulação de sua pelvis.







Agora olhem a foto do lobo abaixo e prestem atenção a todos os aspectos mencionados acima: angulação do joelhos, angulação da pelvis, extensão da garupa e proporção fêmur e tíbia. Não existe melhor representação do "pacote básico" do que a conformação lupina!





24.3.12

O corpo funcional - parte 1

Enquanto eu não arrumo os vídeos das minhas desqualificações nas pistas do Américas e Caribe, vou seguir discutindo assuntos aleatórios e importante aqui no blog. :)




Um dos meus tópicos favoritos para discussão dentro da cinofilia é: criação de cães. Trata-se de um tema extremamente polêmico e que costuma deixar as pessoas nervosas (inclusive eu) porque as divergências nesse âmbito são inúmeras. Criar para saúde? Para temperamento? Para estrutura? Tudo? Nada? O que é saúde? O que é temperamento? Enfim... 


Pastor Alemão: uma dos alvos favoritos para os críticos
das criações de exposição
Hoje, deixarei a maior parte dessa discussão de lado e me focarei em um tópico específico que me encanta, mas que é o terror daqueles que dizem querer criar cães funcionais e para trabalho: a estrutura.


Teoricamente, estudar estrutura significa tentar identificar, no conjunto da obra, quais características físicas facilitam ou prejudicam a função específica do cão e selecionar tais características na criação. A idéia é que o cão com o melhor temperamento do mundo não pode executar o seu trabalho adequadamente sem um corpo que facilite a tarefa. E o contrário também é verdadeiro, um cão com o corpo perfeito não pode ser um bom trabalhador se possuir um temperamento problemático ou pouca saúde.


Logo nesse primeiro momento, já podemos analisar uma falha lógica seríssima na criação de cães visando principalmente uma melhora estrutural. Não adianta nada criar um cão com um corpo adequado que não possua outras características vitais para o trabalho. 
Historicamente, a criação de cães tipo show começou com o pé errado por causa dessa suposição extremamente incoerente, a de que era possível criar um cão mais adequado para o trabalho apenas selecionando a conformação. É claro que é bem possível (e mais coerente) que essa seja a justificativa para esse tipo de criação e não o seu real objetivo.


Mas aí, encontramos um segundo impasse. Quais características físicas são desejáveis e quais não são? Para debater essa questão, deixarei um desafio a todos. Abaixo estão três fotos de três poodles standard diferentes (poodle 1, 2 e 3), assim como uma breve descrição (A, B e C) do tipo de movimentação dos cães especialmente durante a prática de agility. Não vou citar a fonte desse material por enquanto pra ninguém conseguir roubar, rsrs.



E aí, me digam vocês! Qual descrição corresponde a cada cão?






Poodle 1
Poodle 2


Poodle 3





A. Esse cão foi o poodle standard mais premiado no agility americano por dois anos. Ela frequentemente consegue bater Border Collies e se qualifica para as seletivas para o Mundial de agility todo ano. Ela consegue fazer curvas tão curtas e tão rápidas quanto qualquer outro cão no agility. Ela tem pouca velocidade ao correr mas compensa com sua grande habilidade em saltos. Ela também consegue acelerar muito rapidamente. Se o percurso for cheio de curvas, ela vai muito bem. Se o percurso é longo com muita corrida e espaço entre os obstáculos, ela será bem mais lenta devido a sua falta de velocidade.
Ela é uma nadadora muito boa, mas não é a nossa mais poderosa, no entanto, ela é um cão de caça ("game dog") e tentará de tudo. Ela busca muito bem.





B. Esse cão salta em excesso, pula muito antes e joga suas patas anteriores acima de sua cabeça ao saltar. Quando está correndo solta com outros cães, ela é incapaz de abaixar seu centro de gravidade, mesmo que só um pouco. Ela não consegue fazer curvas e é nossa poodle mais lenta. Ela é terrivelmente desajeitada. Sua pernas traseiras ficam muito atrás de seu corpo quando ela corre e assim, ela tem pouquíssima força nos posteriores. Ela não consegue nadar nem para salvar sua vida. Ela afunda como uma pedra e, apesar de termos tentado de tudo para ajudá-la a aprender, ela simplesmente não consegue nadar. Ela se movimenta mal e tem dificuldade de colocar seus posteriores abaixo de seu corpo, então sentar é bem dificil para ela. Ela mal consegue se abaixar para fazer xixi.




C. Esse cão é o mais rápido de todos mas tem problemas para fazer curvas e não consegue abaixar seu centro de gravidade com facilidade. Ela salta melhor que todos e é a mais atlética dos 4, mas não é a mais rápida no agility pela sua dificuldade de fazer curvas. Ela também pisa em falso quando corre e quando faz o slalom, o que é ineficiente. Isso não a deixa mais devagar no chão, mas a atrapalha no slalom. Ela é nossa melhor nadadora e a mais rápida, ama buscar o que quer que seja, independente da temperatura ou do lugar.


20.3.12

Pequena homenagem - Cesar Ades

Durante a semana passada enquanto eu estava a caminho do AyC, faleceu o professor César Ades. César foi diretor do Instituto de Psicologia e do Instituto de Estudos Avançados da USP, além de ser um dos maiores pesquisadores em Etologia (vulgo comportamento animal) que o Brasil já teve. 

Foi uma grande honra poder conhecê-lo. O amor que ele tinha pelo que fazia era muito bonito e inspirador de ser ver, sempre o lembrarei por isso. É difícil não se chocar com a perda de alguém que irradia tanta alegria.

Fica aqui uma pequena homenagem.

César durante a matrícula dos bixos de 2012


“Many that live deserve death. And some that die deserve life. Can you give it to them? Then do not be too eager to deal out death in judgement. For even the very wise cannot see all ends.” —J. R. R. Tolkien (Gandalf the Grey)




10.2.12

vale um sorriso

Deu um intervalo no blog. Torrei muitos neurônios pensando em posts interessantes e informativos, cansa a minha beleza e a dos leitores se não for feito com moderação. :)

Hoje a postagem não serve para nada além de causar sorrisos. Sexta á noite, muita gente deve estar cansada. Pois bem, eu acredito que, estando acordado, um bom jeito de descansar é sorrindo. Não porque temos que sorrir, como fazemos a semana inteira, hehe. Apenas porque a nossa bochecha simplesmente se contrai em um sorriso, automaticamente e sem esforço.

Espero que o vídeo cause isso, em nome dos momentos que não exigem de nós mais do que uma mente descansada e tranquila.